quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ser a contradição

Tenho me sentido velha diante dos adolescentes que ontem eram as crianças que brincavam logo ali. A diferença entre eu e eles parece cada vez menor, parece apenas uma questão experiência e maturidade, não que todos eles ao chegarem aos dezoito tenham a mesma maturidade que eu tenho hoje, isso é muito relativo. O mais fascinante de tudo isso é que, embora as gerações sejam diferentes, desde o princípio dos tempos nós somos iguais, a adolescência desde os tempos em que “não existia” até os dias atuais tem as mesmas características. É incrível que, após séculos de existência as únicas coisas que têm evoluído sejam a tecnologia que nos rodeia e a nossa ambição, com relação ao comportamento só passamos a assumir o que sempre fizemos, ainda que, às vezes, hipocritamente escandalizados.
Evidentemente, assim como a TPM, depois que foi “descoberta” a adolescência foi assumida com vontade pelos jovens e foi aceita com cada vez mais passividade pelos pais e outras autoridades, a adolescência surgiu para alguns como justificativa, assim como a TPM justifica crimes, não que eu desacredite algum deles. A adolescência é uma fase real, em que até a queda de um alfinete é intensa, tudo é muito forte quando a gente é tudo e nada ao mesmo tempo, porque afinal não somos nem adulto nem criança, mas somos ao mesmo tempo criança e adulto. É mais do que natural que hajam conflitos numa situação dessas, na grande maioria das vezes conflitos internos, conflitos em que queremos saber quem somos, em que sentimos a necessidade de nos descobrir, saber como somos; questionamos o funcionamento do sistema; nos revoltamos com facilidade; mas quase sempre exteriorizamos conflitos que são internos. E o que mudou? Os adolescentes dos anos 90 não faziam isso? E os dos anos 80, 70, 60...? Talvez tenhamos mudado a forma, a intensidade, a direção dos nossos conflitos, mas continuamos igualzinhos, inconformados. Hoje em dia menos reprimidos, eu até diria nada reprimidos, meio sem freios, sem uma direção pra essa inconformidade toda, sem ideais. Apenas revoltados com o nosso mundinho, é tudo cada vez mais uma questão individual, hoje em que vivemos em uma sociedade global, é quando nos preocupamos exclusivamente conosco. Uma contradição, combina com o tema, que é ser a contradição.
“Quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém” (Legião Urbana)

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